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o meu blogue - thornlessrose

Blog EntryMay 29, '11 10:04 PM
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António Rodrigues - Praia do Molhe Leste, Peniche, em 28/05/2011

 

Nota: Importante ver/ouvir o vídeo: o som do mar, o seu espraiar-se na areia... são beijos, carícias!

http://www.youtube.com/watch?v=ip0_lxodf3E&feature=player_detailpage

 

 

(Título em paráfrase do soneto de Florbela Espanca: "A nossa casa, Amor, a nossa casa".)

  

A nossa casa, Amor, a nossa casa!

Onde está ela, Amor, que não a vejo?

Na minha doida fantasia em brasa

Constrói-a, num instante, o meu desejo!

 

Onde está ela, Amor, a nossa casa,

O bem que neste mundo mais invejo? 

O brando ninho aonde o nosso beijo

Será mais puro e doce que uma asa?

  

Sonho...que eu e tu, dois pobrezinhos,

Andamos de mãos dadas, nos caminhos

Duma terra de rosas, num jardim,

 

Num país de ilusão que nunca vi...

E que eu moro -- tão bom! -- dentro de ti

E tu, ó meu Amor, dentro de mim...

 

Florbela Espanca


Blog EntryMay 11, '11 9:25 PM
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Passo agora as tardes à beira-mar. Dou longos passeios pela baía - pés na água e cabeça nas nuvens. Apanho búzios vazios. Desenvolvi, recentemente, um afecto especial por este tipo de conchas. Chego a comover-me quando encontro alguns destes lindos habitáculos, outrora com vida. Beijo-os, quais amuletos. Começo a desenhar aquilo a que já chamo "a minha colecção de búzios da praia do Molhe Leste". Na Praia Norte, igualmente rica em belezas outras, apenas existem seixos, pequenos calhaus rolados, ou cascas de bivalves partidas. Tem a ver com a força da rebentação, explicou-me o António, que já foi pescador e que, tal como o marinheiro de Mishima, por amor perdeu as graças do mar. Estou eu agora a recuperá-las, as graças, penso eu para comigo, com um sorriso não de todo inocente.

 

Avançando no prazer da água, que me banha e de mim aparta as mágoas, perco a noção do tempo, rejuvenesço, sinto-me vigorosa e bela.

 

Ao entardecer, quando chegam as gaivotas e as traineiras regressam da faina,  ainda por lá estou. Não arredo pé antes da hora do ocaso e, quase sempre, sou  brindada com um vislumbre do paraíso: o sol a esconder-se na linha do horizonte, pintando toda a paisagem em tons de fogo, contrastando com o azul do mar profundo, a brancura da espuma das ondas, o ouro-velho do areal imenso.

 

No Verão da minha existência, vivo as mais lindas tardes deste fim de Primavera. À beira-mar. A coleccionar búzios.



Foto de António Rodrigues - Pôr-do-sol no Molhe Leste


Os livros já aí estão, à venda, para quem os quiser ler.
Apenas contribuí com escritos mas estou muito orgulhosa com o resultado final de ambos.
As capas estão lindas e os conteúdos muito bem cuidados.
Dá gosto trabalhar com amigos assim!
Obrigada a todos.


Livro dos poemas do concurso «Ora, vejamos...2009». 
Autores: Alberto Pereira, Carlos Augusto Neves e Sousa Ramos, Ester Afonso, Eugénia Vieira, Eurico Ferraz, Isabel Solano, Maria Augusta Loureiro, Maria Carvalhosa, Maria de Lourdes Barbosa Oliveira, M. Alexandra Vassalo, Teresa Krusse e Vilma Machado.




Livro dos contos do concurso «Ora, vejamos... 2009» 
Autores: Alberto Pereira, Augusto Dias, Eurico Ferraz, Filipe Arnaso, José António L. M. Baptista, Maria Carvalhosa, Teresa Krusse


Para adquirir qualquer um dos livros clicar em:



Blog EntryOct 5, '09 1:21 PM
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O meu grande amigo Alberto Pereira ganhou, nos Concursos de 2009 do "Ora, Vejamos..." o 2º prémio no género poesia e o 1º prémio no género conto. A querida Zélia Santos diz os seus poemas como ninguém e aqui está, para nosso bel-prazer, um excelente vídeo que produziu. A não perder!



PÁSSAROS FERIDOS

Estremeço,
já não vejo os pássaros que nasciam na garganta
quando dizias meu amor.
Esses partiram há muito
e no seu lugar, quero dizer-te,
sonham tempestades.

Nunca a eternidade se demorara na pele
como nesse tempo.
Trazíamos o céu entre os anéis
e a força com que apertávamos o paraíso.
Deus sentava-se no coração
a adiantar as horas,
a manhã chegava mais cedo.
Era urgente não adormecer,
viviam-se muitos anos num dia
e cada pensamento
coleccionava o mundo inteiro.

O sangue ruiu quando partiste.
Descobri então que o corpo
não tinha lista de espera para as cicatrizes.
Até Deus enlouqueceu,
grita que a escuridão é mais fácil de respirar.

Somos delírios
e a morte um vício para sempre.

Autoria: Alberto Pereira




Blog EntrySep 22, '09 1:59 PM
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(fotografias de Sandra Farinha e António Rodrigues)

 
O velho tanque.
 
Uma rã mergulha

dentro de si.


Matsuo Bashô

Blog EntryJul 15, '09 11:01 AM
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14.7.09

Não sei por que motivo

 

Às vezes
não sei por que motivo
afogo o olhar
em trágicos silêncios.
Para encontrar a luz
me bastava enfrentar
a noite, porque possuo
nos olhos o apelo
errante das sombras.
Pequenas traições
tatuadas na pele
são apenas pretextos
para disfarçar os medos.
Um remorso
germinando na lembrança
devolve-me o temor
de múltiplas solidões.


De Uma extensa mancha de sonhos, 2008
 
http:\\ortografiadoolhar.blogspot.com

Blog EntryJun 22, '09 11:11 PM
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Agradeço aos meus queridos António, Eliane e Zé, pelos contributos indispensáveis à concretização deste PPS. Beijos gratos e ternos.

Abraços e beijos igualmente afectuosos para todos os amigos que por aqui fizerem uma paragem: para ler o poema, ver as fotos e ouvir a música.

Espero que não dêem por mal empregues os escassos dois minutos que leva a visualizar...

Fragmento

O voo planado da gaivota;
o azul indescritível

das águas profundas
que separam a costa da ilha-rosa,
logo ali,
a duas braçadas e meia de lonjura;
as mãos que avidamente se procuram
para agarrar
um momento inesquecível.

Riem de si próprios
e as gargalhadas ecoam na brancura dos gritos dos corvos e das gaivotas.

No abraço em que se enlaçam
os beijos molhados têm o sabor salgado
das lágrimas que algures,
no percurso dos rostos,
se misturam.

Em silêncio, sem palavras, eles sabem.


Sempre souberam da impossibilidade de guardar
a memória etérea de um instante feliz num relicário;
da incapacidade de qualquer alquimia materializar,
para esconder na caixa dos pequenos-grandes tesouros,
um fragmento de eternidade:
único e irrepetível.

Maria Carvalhosa

Attachment: fragmento de eternidade.pps
Attachment: fragmento.ppsx

Blog EntryJun 18, '09 10:18 PM
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Dedico este powerpoint à minha amiga do coração, Eliane Marques, sem a contribuição da qual não teria sido possível esta composição. Ela sabe porquê!...

Espero que gostem, amigos. Beijos e abraços para todos. Um carinho especial para a Eliane.

 

Attachment: Eu não existo sem você.ppsx
Attachment: Eu não existo sem você.pps

Blog EntryJun 4, '09 2:09 PM
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De Volta Pró Meu Aconchego

Elba Ramalho

Composição: Dominguinhos - Nando Cordel

Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo
Um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom,
Poder tá contigo de novo,
Roçando o teu corpo e beijando você,
Prá mim tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem, fascinam,
A paz que eu gosto de ter.
É duro, ficar sem você
Vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que eu vou mergulhar
Na felicidade sem fim

Attachment: De volta pró meu aconchego-pps.pptx
Attachment: De volta pró meu aconchego-pps.ppt

Blog EntryMay 12, '09 9:18 PM
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Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

                                   Florbela Espanca

 

Nota: Clicar para avançar diapositivos, por forma a acompanhar a letra.

Attachment: Ser poeta.pps
Attachment: Ser poeta.ppsx

Blog EntryMay 6, '09 11:31 AM
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O meu querido amigo Zé Bento dedicou-me este powerpoint, no qual faz uma brincadeira com o nome e imagem deste meu espaço e uma foto minha. Saliento a maviosidade e doçura da sua voz, da qual muito gosto, como ele bem sabe.

Obrigada Zé Bento. Sabes do meu grande afecto por ti.

Espero que apreciem, tanto quanto eu, meus amigos, e o expressem em comentários, se assim o entenderem.

Beijos para todos (um, especial, para o Zé Bento).

maria carvalhosa

 

 

 

Attachment: Menina es...pps

Blog EntryApr 29, '09 1:34 PM
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Dedico este PPS aos meus bons amigos Filipe Antunes e Paco Garcia, que celebram hoje o seu dia de aniversário.

Parabéns, meus queridos, desejo tudo de bom para as vossas vidas e, já agora, espero que gostem deste singelo presente.

Beijos carinhosos.

maria

 

Attachment: As Ondas.pptx
Attachment: As Ondas2.ppsx

Blog EntryApr 27, '09 8:13 PM
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Decidi compor este Powerpoint utilizando um conto que escrevi há algum tempo, algumas fotos de flores tiradas pelo António (a sua colecção é imensa, como podem calcular) e a voz maviosa da Sofia, com o seu grupo de jazz, a interpretar "Everytime we say goodbye". Aparentemente, nada tem a ver com nada mas, para ser sincera, sinto-me contente com o resultado. Espero que  gostem.

 

Attachment: Insónia.pptx
Attachment: Insónia2.ppt

Blog EntryApr 20, '09 5:55 PM
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A minha querida amiga Eliane fez este PPS lindo, a partir de um poema igualmente belo de Nuno Júdice e de algumas  fotos de telas maravilhosas da minha muito amada prima: a pintora Júlia Calçada.

Vejam, apreciem e comentem. Vale bem a pena, meus amigos.

Beijos.

maria carvalhosa

 

 

Attachment: CHAMO POR TI(2).pps

Blog EntryApr 5, '09 11:05 PM
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Foto de António Rodrigues
 
Olhou, demoradamente, a magnífica paisagem que a janela do seu gabinete lhe oferecia. "Pela última vez. Sem pressas. Ela que espere." Disse para si próprio, enquanto uma pontada desconfortável lhe oprimia o peito, um nó na garganta o impedia de engolir a água que havia acabado de levar aos lábios e uma irreprimível neblina lhe começava a toldar a vista ocultando, assim, parte da beleza que tanto queria que a sua retina guardasse.

O telefone voltou a tocar. Era novamente a secretária de Laurinda: "Dr. Maurício, lamento a insistência mas a Presidente aguarda-o na sala de reuniões com o Dr. Fernando e dois advogados e parece-me que começa a ficar impaciente com a sua demora". "Obrigado, Paula. Estou a ir". Após ter desligado, tentou recompor-se do recente momento de fraqueza. Pigarreou, para aclarar a garganta, respirou bem fundo duas ou três vezes, passou um "kleenex" nos olhos para apagar qualquer vestígio de humidade, voltou as costas à janela e saíu, com passo firme e determinado, rumo à sala de reuniões.

Quando entrou, esperavam-no todos sentados do mesmo lado, de costas para uma outra janela panorâmica, com a mesma vista de sonho. Sentou-se do lado de cá, de frente para os oponentes e, consequentemente, para a deslumbrante vista que o acompanhava há três anos, desde que fora trabalhar para aquele hotel como director de marketing.

Laurinda começou: "Ora bem, agora que já estamos todos, não vamos perder mais tempo. Como sabe perfeitamente, os tempos são de crise e todas as medidas têm que ser tomadas o mais rapidamente possível". Deixou de a ouvir, "mas o que faz aqui o Fernando? Ainda ontem à noite bebemos um copo no bar e não me disse absolutamente nada. Olha o sacana! Poderia, ao menos, ter-me preparado minimanente, evitando assim que esta situação se me apresentasse tão constrangedora. Sempre pensei que era meu amigo. Grande amigo me saíu. Os directores de recursos humanos são todos iguais, quando chega a hora da verdade estão sempre do lado do patrão, a tentar proteger o seu lugar, pois é claro... e os amigos (amigos, o que é isso?) que se lixem!"

Voltou a ouvir a voz estridente de Laurinda "há que reduzir os custos" e voltou, imediatamente para os seus pensamentos "é evidente, agora já não precisam de mim. Fiz o trabalho de reconstrução todo. Consegui tirar este hotel da sarjeta e transformá-lo num dos locais mais procurados para sessões de trabalho das empresas e fins de semana de lazer durante todo o ano. No Verão, então, não cabe aqui um alfinete..." Laurinda continuava "por essa razão, os estagiários e recém-licenciados que demonstraram estar à altura" enquanto Maurício pensava para dentro "e agora, que os "meninos" já aprenderam comigo como dar continuidade ao trabalho e só têm que manter o barco em velocidade de cruzeiro, levo um xuto no cú e boa viagem".

O timbre de Laurinda, habitualmente inócuo para os seus ouvidos, agora quase lhe perfurava os tímpanos "os nossos advogados elaboraram o contrato que tem na sua frente e que lhe peço leia atentamente, antes de assinar". "O quê, indignou-se Maurício sem proferir palavra, mas isto é "atar e pôr ao fumeiro"? Estes gajos são mesmo demais. Num dia não sei de nada, no dia seguinte estou a assinar a minha sentença de morte. Só falta mesmo pegarem-me na mão e ajudarem-me a fazer uma cruz como assinatura!". De seguida lembrou-se dos filhos: depois do duro golpe da morte da mãe, a Mariana recuperara o equilíbrio emocional e estava a acabar o secundário, com planos para arquitectura e o João, já igualmente conformado com a perda, encontrava-se a meio do curso de Engenharia de Comunicações. Como é que ía conseguir chegar a casa e dizer-lhes: "meninos, vamos ter que rever as nossas prioridades. O subsídio de desemprego, que vou passar a receber, é muito mais do que insuficiente para o nível de encargos que criámos com base na realidade de ontem e para os projectos que tínhamos em vista para amanhã".

Foi então que a frase que saíu da boca de Laurinda colidiu com a sua linha de raciocínio. Como é que "a percentagem sobre a facturação pode parecer irrisória mas, quando aplicada sobre os lucros excelentes que temos conseguido desde que o contratámos..." jogava com um acordo de rescisão? Esforçou-se por deixar de ouvir a sua voz interior e passar a escutar Laurinda que, neste momento, dizia "além do mais, apesar de 20% do capital social não ser uma quota extraordinária, parece-me justa e adequada ao seu óptimo desempenho, funcionando assim como prémio e incentivo, já que o Maurício passa a ser, simultaneamente, meu sócio, e dos meus irmãos, na propriedade do hotel, ocupando o cargo de vice-presidente. A verdade é que eles não ligam nenhuma a isto e concordaram imediatamente em prescindir de parte das suas quotas para alijar responsabilidades. Sabe o que lhe digo? Parece muito mais que o sangue dos Ataíde corre nas suas veias do que nas deles".

Por esta altura, Maurício transpirava, tinha dificuldade em respirar e quase deixava que os seus olhos se marejassem de lágrimas, exactamente por motivos opostos aos que o tinham feito sentir sintomas idênticos há cerca de meia-hora atrás. Começava a pesar-lhe alguma má consciência por ter sido, embora que por breves momentos, injusto para com a Presidente que sempre lhe merecera a maior estima e o respeitara e, até, para o seu único verdadeiro amigo, com inúmeras provas dadas, desde o primeiro momento em que o integrara nos quadros do hotel, o director de recursos humanos.

"Perante o seu silêncio presumo que está de acordo, Maurício" prosseguia Laurinda Ataíde que, aqui,  fez uma pequena pausa no discurso e sorriu. A voz dela, estranhamente, agora parecia-lhe suave e doce "assim sendo, vamos passar à assinatura dos contratos e os nossos advogados poderão, em sequência, marcar a escritura de doação de quotas. Quanto ao complemento de remuneração, o Dr. Fernando Meneses procederá, já este mês, ao processamento da comissão acordada sobre a facturação do mês transacto."

Maurício permanecia num mutismo inexplicável. Incapaz de balbuciar fosse o que fosse, levantou-se e dirigiu-se ao outro lado da mesa, com intenção de agradecer à Presidente, apertando-lhe a a mão. Laurinda, porém, antecipou-se-lhe. Recuou um pouco para junto da janela e, após uma olhadela rápida ao sol que estava prestes a esconder-se onde o mar parecia acabar, deixou-se ficar de perfil e, de braços abertos, disse, comovida "Parabéns, Maurício. Ora venham de lá esses ossos!".

Nota da Autora: Este é um texto de ficção. Qualquer semelhança entre o local fotografado, personagens, ou conteúdo do conto com a realidade é pura coincidência.
 

Blog EntryMar 30, '09 2:54 PM
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Vejam só como, nesta Primavera, a minha velha amiga roseira-sem-espinhos, se deixou crescer, e transbordar, e extrapolar para além do muro - local seu desconhecido até agora.

É um gosto vê-la reflorescer, tomar como nova uma vida que, durante tantos anos, já sendo sua, nunca dela se tinha apropriado. Um verdadeiro deleite para os sentidos e um prazer indescritível para esta alma que habita num limbo - algures entre o Paraíso e o Inferno.

 


20.3.09

SE ALGUMA VEZ A NOITE


Se alguma vez a noite,
cansada de esperar
pelo oiro da manhã, antecipasse
o despertar do dia?

Sem rumo as barcas,
pejadas de palavras,
em súplica de rimas,
como quem pede um vento de feição
ou ata a um desejo as sílabas cadentes.

Não soaria azul o azul de mar,
nem prata de luar as mãos de sal.

O sono da donzela sobre a fraga
apagaria grifos e quimeras.

Só na noite o poema é fonte de delírio
e se faz corpo e corda e lume e perdição.


Licínia Quitério                  http://sitiopoema.blogspot.com/


Blog EntryMar 16, '09 10:34 AM
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16.3.09

Magritte

Contadas pelos dedos, as sílabas
parecem irrelevantes no poema.
Não fora a insuspeitada orgia

com que as letras se misturam
e o sentimento seria, somente, um polissílabo
mudo, imóvel, nado e morto no mesmo som.
Encosto as mãos à grafia de um verso
e enceno, ao redor dele, um calado aviso.
Sem rumo, ouço o meu vulto crescer
em direcção a um sobressalto masculino ou solar.
Um cheiro de relva aparada impõe um círculo
de recordações no ângulo da escrita.


De Conjugar afectos, 1997                        http://ortografiadoolhar.blogspot.com


Blog EntryMar 16, '09 10:25 AM
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8.3.09

Mulheres

Gérard Castello Lopes

 

Ao som de canções de amiga,
revêem a geografia dos sonhos
na madeixa verde, que escorre
pelos seus cabelos, quando,
nem tudo é de pedra,
no exílio dos olhos.
Às vezes tudo o que têm,
está na memória
de um impossível discurso,
ou na visão alienada das paredes,
reflectindo pensamentos e esperanças.
São o culto onde o desespero
se desdobra em asas,
metamorfose de anjos negros,
criando clareiras nocturnas
para que a luz lhes devolva

o regozijo íntimo da vida.

De Ortografia do olhar, 1996
                               http://ortografiadoolhar.blogspot.com

 


23.2.09

Memórias de Dulcineia XIII

 

Menez

Sem medo do perfil
em que me invento
procuro os ângulos
menos sombrios
do passado.
Viro os gestos do avesso.
Deturpo conceitos e preconceitos.
Esqueço os comportamentos comuns.
Imagino-me num castelo longínquo,
cativa e princesa.
Não quero adiar o destino
de me rever nos sonhos
que te chamaram de tão longe.
Eu, aqui, morrendo aos poucos,
sitiada do teu nome.